Mikhail Aleksandrovitch Bakunin (Priamukhino, 1814-Berna, 1876) é considerado o fundador do sindicalismo revolucionário e o expoente máximo do que passou a se chamar anarquismo, a partir de sua expulsão da Internacional em 1872. Oriundo de uma família nobre russa, Bakunin rompe com o pai aos 18 anos ao se recusar a ingressar no serviço público e inscrever-se na universidade de Moscou. Passa então a viver como tradutor de autores alemães, como Fichte e Hegel. Em 1840, parte para a Alemanha, onde se encontra com Schelling e um círculo de jovens hegelianos, mas decide mudar-se para a Suíça e, em seguida, para Bélgica, a fim de evitar sua extradição para a Rússia. Em 1844, encontra-se pela primeira vez com Marx e torna-se amigo de George Sand. Em Paris, participa diretamente da revolução de 1848, e em 1849 é feito prisioneiro e condenado a morte por participar da insurreição de Dresden, mas logo é entregue a autoridades austríacas que o deportam para a Rússia (1851), onde é mantido preso por anos na fortaleza Pedro e Paulo e finalmente enviado a Sibéria (1857), de onde foge em 1861, pelo Japao e Estados Unidos. Funda, em Florença (1864), a sociedade secreta anarquista “A Fraternidade Internacional Revolucionária” e passa a viver na Itália. Em 1868, adere à Internacional, mas meses após a Comuna de Paris, no congresso de Haia em setembro de 1872, é expulso da organização, o que provoca a cisão do movimento socialista em duas correntes: a capitaneada por Marx, e a libertária ou anarquista, alicerçada nos princípios federativo e autogestionário. Nas palavras do socialista Filippo Turati, “contar a vida de Bakunin é contar a vida do socialismo e da revolução na Europa durante mais de trinta anos (1840-1876), pois ele contribuiu ou participou de todos os progressos da ideia e dos fatos revolucionários”. Bakunin passa os últimos anos de sua vida na Suíça.