Stéphane Mallarmé (1842–1898), poeta dos mais importantes do fim do século XIX francês, iniciou carreira escrevendo sonetos em revistas parnasianas. Já então se distinguia pela extrema habilidade sintática, o que o levaria a afirmar: “je suis unsyntaxier”. Ao lado de Paul Verlaine, J.-K. Huysmans, Villiers de L’Isle-Adam e Gustave Moreau participou de publicações decadentistas e simbolistas com poemas impregnados de adornos orientalizantes (como o inacabado “Hérodiade”) e em que ampliaria seu virtuosismo sintático, que atinge um auge de complexidade e ambiguidade na écloga “L’aprèsmidi d’un faune”. Foi pioneiro no uso de recursos da poesia modernista, como o uso do branco da página e variações tipográficas, vistos pela primeira vez como parte estrutural de um poema em “Un coup de dés”, publicado na revista Cosmopolis, em 1897. No Brasil, foi reabilitado pela vanguarda concreta dos anos 1950, que considerou Mallarmé “o Dante Alighieri da Era Industrial”.